Domingo, Dezembro 11

Revirando Papéis...

Um absurdo! Sim, eu sei.
Não sei dizer como deixei passar tanto tempo sem falar "um A" aqui, mas acho que essas coisas simplesmente acontecem.
Como em todo clima de fim de ano que remete à umas limpezas de tudo e reorganização de vida, encontrei umas coisas "jurássicas", de alguns anos atrás.
Ao lê-las, refleti.
E, por isso, gostaria de compartilhá-las.

Saudosos abraços :)




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**Em algum pedaço de arquivo eletrônico de 2005...







Queria pedir a cada um de vcs, para que tenham um pouquinho de paciência, e assim, possam ler o que eu vou escrever... Na verdade, são palavras de Charles Swindoll, em "As Trevas e o Amanhecer" (que, diga-se de passagem, é um livro esplêndido!!!). São palavras que nos fazem pensar sobre o modo de agir do nosso Deus! São palavras simples.. portanto, prestem atenção e imaginem tudo o que será descrito...



    " Dimitri Vail foi um dos maiores pintores de retratos da América.Muitas pessoas famosas tiveram seus retratos pintados por esse talentoso artista, que era conhecido por uma característica: realismo. De fato, seu trabalho é tão realista, que você poderia pensar que está olhando para a ampliação de uma fotografia. Tive a oportunidade de visitar várias vezes a galeria de Vail em Dallas. Um dia, quando caminhava pela galeria, notei um quadro que nunca tinha visto antes, pendurado num canto escuro, sem nenhuma lâmpada apontando em sua direção. A maioria das pinturas de Vail era magnificamente exposta, com molduras graciosas e iluminação excelente. Esta, porém, estava apoiada num cavalete e exposta de maneira quase rude. Não tinha moldura, não tinha foco de luz, não tinha nome.

    'De quem é esse quadro?’, pensei. Todos os outros retratos eram facilmente identificáveis, mesmo sem os nomes famosos gravados abaixo deles. Mas este, pintado em tons sombrios de cinza e marrom, azul-escuro e listras negras, não tinha nenhuma identificação. Eu estava intrigado.

   ‘ Quem é este?’ , perguntei finalmente à mulher que estava trabalhando na galeria.

   ‘ Oh, esse é um auto-retrato’ , disse ela. ‘ Esse é o próprio Sr. Vail.’

   Enquanto eu permanecia em pé, estudando aquela face sombria e triste, ela acrescentou: ‘ E sabe o que mais?É exatamente assim que ele se parece’.

   O mesmo acontecece com nosso Senhor . Ele pode permitir que os retratos de muitos indivíduos tenham destaque- que pareçam atraentes, alegres e impressionantes para o público. Mas quando se trata de seu próprio retrato, Ele o pinta sob a sombra da cruz, com os tons marrons, cinzas e pretos da realidade. Sem molduras. Sem destaque. Sem foco de luz. É a verdade em exposição. É o Homem de Dores, que foi experimentado no sofrimento – aquele que foi transpassado por nossas transgressões e esmagado por nossas iniquidades. E justamente porque o Senhor permitiu que nossos pecados caíssem sobre Ele, oferecemos o nosso mais alto louvor ao cantar, ‘Digno é o cordeiro que foi morto..’”

 



  A sombra do sofrimento incide sobre TODO caminho, inclusive o seu. Mas a beleza dessas sombras escuras e das cores esmaecidas está no resultado, pois durante esse processo, nos tornamos mais como Cristo.


Sábado, Julho 9

Pra meus olhos abrir...

Existem mundos aqui dentro.
A cada semana, descubro novos pedaços de mim. Coloco estacas em novos limites que cerceiam o que sou; minhas fronteiras são expandíveis.
Deixo sem pensar duas vezes a zona de conforto, em busca dAquele que pode saciar a minha alma - sedenta. Corro para o lugar onde Ele habita - bem aqui no centro de mim.
Ao recordar tudo que com Ele já vivi, sorrisos transbordantes de lágrimas (felizes) brotam em meu rosto; me fazendo acreditar que por mais que - agora - eu não consiga enxergá-lo, Ele não saiu daqui de dentro... meus olhos é que se embotaram. Minha visão, distorcida em cadeias diárias, está comprometida. Mas, o que sou ou a forma como me encontro não interferem em Sua natureza, em Sua essência, em Seu caráter. Ele permanece o mesmo, desde sempre e pra sempre, independentemente de minha natureza transitória e inconstante.
Pensar nisso, gera em mim um grito silencioso que rompe com o barulho quieto do meu ser interno - uma redoma fragilíssima de aparências, que precisa ganhar vida verdadeira.
Sei que está comigo, ao meu lado. Sei que me vê e me escuta.
Vem tomar as minhas mãos, tocar em meus olhos e ouvidos, libertando-me de mim?
Eu espero.Um desejo. Um anelo.
Vida verdadeira.
Vida completa.
Perfeita.
Contigo.

Sexta-feira, Abril 22

Eu sou, Nós somos.

Wassily Kandinsky. Gorge improvisation, 1914
Gosto da sensação de ter algo prestes a explodir aqui dentro. Gosto ainda mais quando não tenho a menor idéia do que está querendo sair. Nesses momentos, se pudesse vasculhar minhas partes de dentro, provavelmente encontraria uma porção de risadas altas e assustadoramente escandalosas fundidas a lágrimas doloridas, sonhos do tamanho do mundo, indignação diante das injustiças, insatisfação com minha apatia diante de tantas coisas, vontade de mudança, músicas não terminadas, carinhos, cores, projetos, futuro... Uma mistura de tudo e de todos. Um pouco de mim e um pouco dos outros. 

Chacoalho, chacoalho, chacoalho..... e.......

Descubro que sou um todo de muitas partes
De algumas eu gosto, outras nem conheço
Algumas se encantam com música e artes
Outras têm medo de todo e qualquer (re)começo

Tem dias que tudo em mim é sorriso
Em outros, não sei regular meu choro
É vento, é lua, é vila, é isso, é aquilo
Não sei nem separar o "eu" e o "outro"

Contenta-me o saber que sou
Pois, se sou serei até não ser mais
Não controlo o sou ou não sou
Mas, decido como meu ser se faz

Escolho ser.
Uma mistura insana.
Melodia improvável.
Obra inacabada.
Pra continuar sendo... sempre.

- Priscilla Falçarella -






Quinta-feira, Abril 21

Sinal de vida - humana.

É impressionante como pessoas fazem a diferença na vida da gente. Ela seria infinitamente sem graça se fosse sozinha... fato.

Quarta-feira, Março 2

Excursão nebulosa

"Vende-se tempo" dizia o anúncio em uma casa amarelada coberta por rachaduras. Inerte, com aquela sensação perdida de de repente entrar em um sonho, tentei entender onde estava. Mesmo sem saber ao certo, a oferta despertou minha atenção. Lembrei-me de minha agenda, de seus milhares de tópicos espalhados em duas páginas que compõem minha semana. Pensei que seria interessante ter mais tempo, já que o que tenho parece ser insuficiente pra fazer tudo o que preciso e gostaria. Em todo sos segundos que ali estive, a consciência de que no mundo real tal mercadoria não pode ser comercializada esteve presente... o que provavelmente aguçou meu desejo de usufruir de tal privilégio da terra dos sonhos. 
Ao entrar na pequena casa, uma surpresa: antes de concretizar a compra, teria direito a uma pré-visualização de rotina. Sem titubear, aceitei a proposta. Como que em uma viagem a um universo paralelo existente aqui mesmo em mim, enxerguei meus dias de 37 horas e 43 minutos... a certeza do alívio que viria pra minha alma cansada foi aos poucos se esvaindo. Encontraria atividades e compromissos para as 13 horas e 43 minutos extra que comprara, e como em um piscar de olhos, toda a esperança de uma vida de plena satisfação pessoal saiu voando pela rachadura da casa.
Acordei. Entendi. O propósito de meu sonhar foi apenas um: o viver é assim, dentro das 24 horas que tenho - sem mais nem menos. É bem possível ser feliz nelas e plenamente satisfeita. A distância que hoje existe entre o que idealizo e o que vivo é resultado da bagunça que criei. Minhas prioridades estão desordenadas, meu amor retido e meus sorrisos um pouco embaçados.

Ah! Bendito seja aquele que fala com a gente quando sonhamos. 
A felicidade me espera em meio a nuvem de poeira na calçada da casa amarelada repleta de rachaduras. 
- ENTENDI! - ponto.


"Quem não tem tempo para amar morre por dentro a cada segundo." Thiago Grulha