"O conceito de ser querido por um pai era estranho pra mim. Enquanto crescia, me senti desprezado pelo meu pai. Minha mãe morreu ao me dar à luz, então talvez ele me visse como a causa da morte dela; eu não tenho certeza.
Nunca consegui ter uma conversa significativa com meu pai. Na verdade, o único gesto de afeto do qual me lembro ocorreu quando estava com nove anos de idade: ele pôs o braço ao meu redor por cerca de trinta segundos enquanto estávamos a caminho do funeral de minha madrasta. Além disso, a única outra forma de toque físico que experimentei foram as correções que recebia ao desobedecê-lo ou incomodá-lo.
Minha meta em nosso relacionamento se tornou não atrapalhar meu pai. Eu preferia dar voltas ao redor de casa em vez de desapontá-lo ou deixá-lo nervoso.
Ele morreu quando eu tinha doze anos. Chorei, mas também me senti aliviado.
O impacto desse relacionamento me afetou por muitos anos, e acho que muitos desses sentimentos e emoções foram transferidos para meu relacionamento com Deus. Por exemplo, me esforçava muito para não incomodar Deus com meu pecado ou deixá-Lo desapontado com meus pequenos problemas. Eu não aspirava ser querido por Deus; eu estava feliz por apenas não ser odiado ou ferido por Ele.
Não me entenda errado. Não era tudo em meu pai que era mau. Eu realmente agradeço a Deus por ele, porque ele me ensinou o que é disciplina, respeito, temor e obediência. E também acho que ele me amava. Mas, não posso encobrir como meu relacionamento com ele afetou negativamente minha visão de Deus por muitos anos.
Felizmente, meu relacionamento com Deus apresentou uma grande mudança quando eu mesmo passei a ser pai. Depois que minha filha mais velha nasceu, comecei a enxergar quão errado eu estava em meus pensamentos sobre Deus. Pela primeira vez realmente senti o que creio que Deus sente por nós. Eu pensava sobre minha filha com frequência. Orava por ela enquanto ela dormia à noite. Mostrava a foto dela para todas as pessoas que olhariam. Gostaria de dar a ela o mundo.
Às vezes, quando volto do trabalho, minha menininha me recebe correndo em direção à calçada e pulando em meus braços antes mesmo de eu sair completamente do carro. Como você pode imaginar, chegar em casa tem se tornado um de meus momentos favoritos do dia.
Meu próprio amor e desejo pelo amor de meus filhos é tão grande que isso abriu meus olhos para o quanto Deus nos deseja e nos ama. A expressão de amor de minha filha por mim e a vontade dela de estar comigo são uma coisa incrível! Nada se compara a ser verdadeiramente, exuberantemente querido por seus filhos.
Através dessa experiência, consegui entender que meu desejo por meus filhos é apenas um mínimo reflexo do enorme amor de Deus por mim e por cada uma das pessoas que Ele criou. Sou apenas um pai terreno, cheio de pecados, e amo meus filhos tanto que até dói. Como eu poderia então não confiar em um Pai celestial que é perfeito, e que me ama infinitamente mais do que jamais serei capaz de amar meus filhos?
Deus é mais digno de confiança que qualquer outra pessoa, ainda que durante muito tempo eu tenha questionado Seu amor e duvidado de Seu cuidado e provisão." (Chan, F. Crazy Love. p. 54-56)

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