Domingo, Outubro 31

Música

Canta sobre a sina, porque nela sim eu sinto
Tanta agonia, e que alegria, que alegria!
Canta sobre ela, a mais bela cidadela
Encantada costureira e criança arredia
Canta sobre a morte, que a vida sim nos traz
Quem carrega meus lençóis, minhas varas, meus anzóis
Canta sobre a perda, fortaleza indestrutível
Gera força que a dor supera, conduzindo a duelos inigualáveis
Canta sobre as cores, que cumprimentam-me nas manhãs
Que enxarcam os olhos de beleza, com doçura e amizades
Canta sobre as dores, que corroem borboletas aqui dentro
Que transformam cores em lágrimas, deslizando em minha pele
Canta sobre os sonhos, expressões do meu eu desconhecido
Que transcrevem em aflição o alívio, acalmando minha intensidade
Canta sobre as letras, cuja força não se estima
Cujas linhas nelas unidas constroem meu refúgio soberano
Canta sobre a alma, que em papel manteiga bem abriga o coração
Que em pequenos vestígios vocais, escancara amor e decepção
Canta sobre a chuva, que a sujeira vai levando...
Lá pra longe do meu peito, onde eu nem mesmo alcanço
Canta sobre o medo, cujas rédeas não me soltam
Cujo laço é de ferro, mas o corpo feito em vidro
Canta sobre a vida, porque nela há plenitude
Tanto ar, tanta beleza; tanto amor e incerteza!
Canta alto e em bom som, faça ouvir-se o seu dizer
E em silêncio, então, repouse o seu ato de viver.



- Priscilla Falçarella -

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